21 de janeiro de 2016

Reencontro

Ontem encontrei sua carta
meio velha e amarelada
com a letra tremida e apaixonada

Sentei para cada verso ler
na primeira palavra chorei
no final da frase suspirei

Você desenhou meus cachos
descreveu meu corpo como riacho
cartografou cada beijos e abraço

Você confessou um amor desnorteado
Revirando memórias e pecados
não descrevendo nosso final acabado

Será que poderíamos ter continuado
como amantes ou namorados?
O que foi que aconteceu com o amor amado?

Deixei na mesa um recado
propondo um encontro marcado
e uma tarde de amor dedilhado



 


18 de janeiro de 2016

Entre mil escolhas

Entre mil escolhas, não me deixe como última opção,
o coração é aleijado quando perde a razão
o amor é ligeiro não permite dizer não

Entre mil verdades não me deixe iludida
se puder escolha, sua melhor roupa para revelar a mentira,
o amor é corrupto quando falamos de expectativas

Entre mil beijos eu quero aquele
de olhos fechados e sem falsete,
de corpo colado, sem armas ou colete

Entre mil formas de sentir escolho o amor
confuso e contraditório me ajuda a compor
como não amaria esse amor?








15 de janeiro de 2016

Quem ama por amor

Não duvidei das vírgulas
Acreditei em cada gesto
Sonhei com nossa ilha
Mas acordei no deserto

Lamentei cada dia
quando senti o inverno,
de todas as palavras ditas
nada restou além do caderno

Mesmo suspirando no inferno
sei que vivemos um amor
talvez nossos olhares não eternos,
despertou os demônios dessa dor

Os abraços frios veneraram cada beijo
o toque sem arrepio roubou o desejo
O cuidado com espinho virou pesadelo
Nosso amor tão sozinho fugiu por desespero
    
Nos amamos com muito medo
Nos deixamos cheios de segredos
Nos entregamos sem conhecer
que quem ama por amor pode morrer 






 

  

12 de janeiro de 2016

Mãos dadas

Na pressa, sem regra fui no redemoinho
Na fissura do desejo me tornei mesquinho
Soltei meus sonhos na esquina da lamentação
Caminhei de mãos dadas, mas sozinho no coração

Mesmo sem sentido acreditei no vazio,
vazio da loucura, do beijo sem paixão
vazio do medo, da verdade e da solidão
Achei que de mãos dadas nada seria ilusão 

Mas sem tranca, sem cuidado
Fui querendo ficar de lado
e de mãos dadas não sentia nada,
não tinha respostas nem palavras

Na pressa, sem regra deixei a porta aberta
Por querer demais joguei minha alma incerta   
Por amar demais não sentia mais nada
Por não amar mais andei de mãos dadas


11 de janeiro de 2016

Sentada na calçada

Esperei o nascer do sol para renovar a esperança
Fiquei sentada na calçada esperando abandonar a lembrança
Deitei mais cedo querendo secar a velha cobrança
Ainda não larguei a mania de querer ser criança

Fechei os olhos para ouvir a dança
Pulei sem parar para chegar na França
Sorri devagar para aproveitar lambança
Fechei a mão para prender a confiança

Rezei para a lua não marcar presença
Chorei quando a noite apareceu sem pedir licença
Emudeci quando sente as mãos da carência
Adormeci sentada na calçada suplicando a tua ausência    


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