26 de janeiro de 2014

Será medo ?

Medo que acorrenta
que assusta e envenena
Medo que empurra para o abismo
Medo que nos tira do cinismo
Será medo?
É isso que nos segura, é isso que nos joga ?
É  medo o mal do século ou a droga da alma morta ?
Que medo é esse?

Temos medo de ir, de voltar , de viver
Temos medo de tudo, do outro, de morrer
Pensamos demais e deixamos o medo aumentar

Com esse medo danado acabamos por nada amar
Dizemos que esse monstro medo não pode continuar
E como somos loucos saudáveis, precisamos nisso acreditar
Travamos a guerra contra o medo e assim vivemos com medo de ganhar.





25 de janeiro de 2014

Caminhei

Caminhei por madrugadas sem fim
Sem saber ao certo para aonde ir
Caminhei sem sentir o medo ou vontade de seguir
Caminhei fazendo companhia ao vento,
vento atento que levou meus segredos de outro tempo.
Alimentei minha alma com sonhos,
meu corpo com pão e vinho
Achei nesse caminho fotos, brincos e segredos divinos
Nessa direção costurei uma mochila de coisas perdidas
Caminhei demais, andei para buscar a perfeita vida
Mas andei e não achei, enterrei meus pés na lama
Chorei com a chuva traçando um novo drama
Caminhei sem querer viver mais uma charge de amor
Caminhei e encontrei um caminho compositor.


24 de janeiro de 2014

Declaração do Adeus

Com a caligrafia borrada,
Ao ler cada verso meu coração lembrava
Da dúvida, da incerteza de estar distante,
dos passos, rios, buracos  e fronteiras gigantes
dos pássaros, flores e espinhos que me fizeram intolerante.

Não quero sentir essa solidão,
Não posso escrever esse adeus como última declaração.
Prefiro imaginar que um dia afogará esse amor
Prefiro imaginar que jogará tudo isso no fogo com sua dor

Por isso guardarei essa carta para ti comigo
fazendo aos deuses sempre os mesmos pedidos
que esqueça esse amor louco, rápido e perdido


23 de janeiro de 2014

Tempo¹

Tempo que alivia a dor e desperta a saudade
Tempo padrasto das rugas e o senhor da liberdade
Tempo que invade a vida sem dó nem piedade
Mestre da paciência, ditador da verdade

Tão confuso e incerto que amedronta o covarde
Homem forte tão cheio de si
Todo homem tolo só sabe do tempo fugir.
Implacável contra tudo que é frágil, fácil e difícil

Tempo doutor das palavras e dos artifícios
Faço a ti meu precioso pedido
Leva pra longe daqui esse amor perdido
Em troca faço um acordo contigo
Deixo você se fazer meu tempo amigo



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