25 de junho de 2014

Viagem

Arrisco-me nessa viagem sem fim
com a vontade de desvelar marfim
sabendo das armadilhas feitas por mim

Arrisco-me nessa viagem que começa
com vontade de amar sem pressa 
querendo juras duvidar e promessas lançar.

Sem proteção, sem escudo e desarmada
sem lágrimas, medo e desamparada
vou bater as asas, soltando as palavras,

Arisco-me nessa aventura de barreiras
viajando contra a correnteza
desafiada pela incerteza do amanhã,

Sem direção por um destino sem caminho
Sentindo a nudez  nos meus olhos famintos
vou com objetos, trajetos e meu labirinto



5 de junho de 2014

Construir algo :)

Incomodado com tudo, com as inquietações constantes,
são gritos e transformações ambulantes
sem tranquilidade, tropeço nos brutamontes
os bobos e pobres jogadores arrogantes.

Mesmo sem querer incomodado permaneço
cansado de piadas, empurrões e tropeços
enfadado dos delírios, pesadelos e recomeços
junto minhas tralhas para sonhar sem adereços

Arrisco os passos no caminho mais travesso,
acompanhado de corações apaixonados
enfrento os brutamontes loucos sem medo.

De mãos dadas seguirei incomodado
com inquietações ambulantes
com transformações constantes
mas acompanhado
de sujeitos importantes
de sonhadores sorridentes
de pessoas com vontade de construir diferente

4 de maio de 2014

Armadilha

Sou violento quando permaneço em silêncio
Para não arrancar palavras sem sentimento
Sou perverso por ocupar alheios pensamentos
Maluco por espreitar da dor o movimento

Nessa fixação de punir e castigar
Sobrevivo de meias verdades para nada revelar
Mesmo sofrendo continuou a violentar

Aquecido com memórias antigas
emaranhado entre contos e mentiras
durmo sem esquecer da cruel armadilha.


3 de maio de 2014

Entre

De todos os tons e sons
fui feito para sentir
De todas as formas e regras
fui feito para pensar
Entre ventos e nevoeiros
sou humano para tentar
Entre ondas e ventanias
posso reinventar
Como um lápis rabisco botecos e amores ao mar
Entre todos e um, toda gente sabe sonhar
Na escultura da vida cada sonho é um despertar


1 de março de 2014

Olhos que não olham

Com os olhos arregalados permaneceu
A voz que rasgava a alma emudeceu
Menina sem nada entender entendeu
Que a realidade criada por nós padeceu

Com o coração acelerado ficou
Homem que do lixou seu alimento tirou
Da verdade a realidade se afastou
Dos olhos vermelhos a mentira criou

Na ilusão de viver e tudo suportar
Na vontade desesperada da realidade enganar
Os olhos deixaram de viver e respirar

Com os olhos fechados amanheceu
viver sem olhar o outro nasceu 
Com os olhos fechados adormeceu
viver para enxergar o outro morreu  


26 de janeiro de 2014

Será medo ?

Medo que acorrenta
que assusta e envenena
Medo que empurra para o abismo
Medo que nos tira do cinismo
Será medo?
É isso que nos segura, é isso que nos joga ?
É  medo o mal do século ou a droga da alma morta ?
Que medo é esse?

Temos medo de ir, de voltar , de viver
Temos medo de tudo, do outro, de morrer
Pensamos demais e deixamos o medo aumentar

Com esse medo danado acabamos por nada amar
Dizemos que esse monstro medo não pode continuar
E como somos loucos saudáveis, precisamos nisso acreditar
Travamos a guerra contra o medo e assim vivemos com medo de ganhar.





25 de janeiro de 2014

Caminhei

Caminhei por madrugadas sem fim
Sem saber ao certo para aonde ir
Caminhei sem sentir o medo ou vontade de seguir
Caminhei fazendo companhia ao vento,
vento atento que levou meus segredos de outro tempo.
Alimentei minha alma com sonhos,
meu corpo com pão e vinho
Achei nesse caminho fotos, brincos e segredos divinos
Nessa direção costurei uma mochila de coisas perdidas
Caminhei demais, andei para buscar a perfeita vida
Mas andei e não achei, enterrei meus pés na lama
Chorei com a chuva traçando um novo drama
Caminhei sem querer viver mais uma charge de amor
Caminhei e encontrei um caminho compositor.


24 de janeiro de 2014

Declaração do Adeus

Com a caligrafia borrada,
Ao ler cada verso meu coração lembrava
Da dúvida, da incerteza de estar distante,
dos passos, rios, buracos  e fronteiras gigantes
dos pássaros, flores e espinhos que me fizeram intolerante.

Não quero sentir essa solidão,
Não posso escrever esse adeus como última declaração.
Prefiro imaginar que um dia afogará esse amor
Prefiro imaginar que jogará tudo isso no fogo com sua dor

Por isso guardarei essa carta para ti comigo
fazendo aos deuses sempre os mesmos pedidos
que esqueça esse amor louco, rápido e perdido


23 de janeiro de 2014

Tempo¹

Tempo que alivia a dor e desperta a saudade
Tempo padrasto das rugas e o senhor da liberdade
Tempo que invade a vida sem dó nem piedade
Mestre da paciência, ditador da verdade

Tão confuso e incerto que amedronta o covarde
Homem forte tão cheio de si
Todo homem tolo só sabe do tempo fugir.
Implacável contra tudo que é frágil, fácil e difícil

Tempo doutor das palavras e dos artifícios
Faço a ti meu precioso pedido
Leva pra longe daqui esse amor perdido
Em troca faço um acordo contigo
Deixo você se fazer meu tempo amigo



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